Um derrame floral escorreu da minha boca.

Eu gosto de conhecer novas pessoas.
Gosto de despedaçar a individualidade de cada um, a sua singularidade.
Em contraste, esta mesma singularidade está perdida num oceano de diversidade, um vasto e raso plano de ideias que colidem umas com as outras e formam explosões cintilantes que se reflectem no brilho dos meus olhos.

Para mim, as pessoas são como drogas.
Inicialmente, deixam-me curioso.
Seguidamente, se a pessoa em questão tiver substância, vicio-me.
Com o passar do tempo, estas drogas humanas vão perdendo o efeito sobre mim e vou precisando de doses maiores.
Umas vezes farto-me.
Outras, fico num estado latente, com esperanças que essa pessoa ignize mais uma vez a chama que vive em mim.

Ainda espero pelo dia em que alguém, algures, me traga uma overdose.

(Source: essentia-vitae)

Um poema sem nome

Tronco nu, passeio por areias douradas e mares prateados.
Nado num oceano turbulento, quase violento, cujas ondas são homens e os seus pensamentos.

No ar, enegrecido, silencioso e sereno.
O trovão espera, por entre o infinito.
E eu, e tu, no centro. Petrificados. Com rosas ao vento.

(Source: essentia-vitae)

addicted to your narcotic touch.

kiss my skin and let it all burn inside,
and speak to me only with your eyes,
and scream only with your hands on my back,
and poison my soul with your cries.

(Source: essentia-vitae)

o meu jardim

a luz é escassa neste quarto sombrio.
só melancolia, inconsciência e suores frios.
e neste jardim, nada mais, nada menos floresce
do que rosas negras com espinhos do vazio.

(Source: essentia-vitae)

Desassossego sossegado. (isto não é uma carta de amor)

Desassossego.

Fadiga mental, cansaço corporal, doença terminal.

Exaustação do pensar.

Esforço-me para poder abstrair-me deste vulto que não só carnal.
A essência desleixada da tua mente atraí-me nas profundezas do meu ser.

Ao teu toque, neuroticamente viciante. Sedativo com aromas de pêssego.
Morfina pálida e indolor, presa no meu peito envolto em espinhos de rosas cor de sangue.

E tu, perdida num tumultuoso remoinho de emoções confundidas.

Sossego.

(Source: essentia-vitae)

O trovão ao encontro do meu ser.

Hoje à noite, sai mundo fora.

A natureza estava caprichosa, começou choramingando e acabou largando cascatas de raiva nervosa.

Algumas gotas beijavam-me a cara e deslizavam sumptuosamente, traçando rios de ódios lamentáveis.

Veementemente, astros vociferavam gritos e clamores resplandescentes, incandescentes. Possuindo-me, com aquelas luzes exageradas, epilépticas ao meu ver, hipnóticas e narcóticas.

E mais uma vez, o meu corpo reclamava, prezava por uma derradeira blasfémia dos céus, uma vingança sangrenta, um punhal de prata no vento.

Quão bom é esta natureza.
Quão bom é viver.

(Source: essentia-vitae)

L’aube du crépuscule. (III)

Softer than your eyes,
Your words kiss my lips and make me weak.

I dream of someone like you,
Hoping that someday my skin feels the taste of love again.

I’m lost in a world of my own.
And honey, in the garden of Eden, you’re the brigthest flower.
As the wind carries your breath, I inhale your delicate aroma.
And I cry rivers of red blood roses that draw valleys of wine and lavender.

I’m insane. And such an addict.
You’re my sin, my heroine, my love, my nicotine.

I told you I was crazy.
But baby, inside my mind it’s an utter anarchy.

Dear stranger, curious stranger,

Come here, cross the sea.
Come here, can you feel me ?

Tell me, what do you see ?

(Source: essentia-vitae)

L’aube du crépuscule. (II)

And when the sea meets the land, there you stand.
Peaceful and eyes wide open, you observe and sing me those beautiful words.

As your voice reaches my soul, thunder strikes on my mind.
Yet madly sad and violently blind, I’ll wait for the day when your lips are mine.

(Source: essentia-vitae)

L’aube du crépuscule.

In my dreams,
before the sun kisses the moon,
My skin burns and my mind bursts.

Dance with me endlessly in this forsaken world,
Spin around and don’t let go of me, hold me close to your love.

Let me touch your soul as we’re flying over burning desires.
Let me show you how confusingly beautiful our symbiosis is.
Let me feel your heartbeat, infecting my thoughts when the dawn is born.

I’ve been losing sight as time passes by.
Nights are darker than ever and even more intriguing.
I’ve been trying to stop smoking but honey, my lungs are crying.

Dear stranger, I’m strong.
I’m strong enough for both of us.
I hope you can heal my wounds.
They don’t stop bleeding.
That enraged demon possessed me.
And every minute, I know, I can faint.
And baby, this fake death, this fear of not existing is scaring me to the core of my soul.

Hey.
Curious stranger.
It’s me.
I’ve been dying while you’ve been living.

Can you hear me?
I’m screaming.

(Source: essentia-vitae)

Chuva de inverno com ares de primavera.

Lá fora,
árvores cantam ao som do vento,
anjos choram odes e sons melancólicos.

Cá dentro,
tecidos de seda e toques súbtis se fazem sentir.
sonhos de algodão e beijos de mirtilo fazem florir.
luzes envergonhadas, com sabor a framboesa me fazem sorrir.

estou prestes a partir
para um mundo improvável
Onde os homens são flores
e a terra, água.

os sonhos alegres, com aromas de chuva tropical
ao spasmo do trovão, força esplêndida da natureza,
se viram magnificados, e o amor, humano, e tão banal.

(Source: essentia-vitae)

Insomnias translucidas.

Quando o crepúsculo sufoca, pela noite estrangulado,
anjos caídos com penas de carvão desenham rastos de petróleo apodrecido no ar.

O sonho não ilumina e o mundo derrete numa espessa camada de esperanças esquecidas.

Sons distorcidos e gritos vencidos imploram que tudo volte ao normal, ao que é real e sentido.

Mas os demónios da mente, macabres e corrompidos, sujos e pervertidos, puxam pela carne e destroem a vontade.

Tudo esmorece, tudo morre, tudo desvanece.

Sugado, caio num beijo de alcatrão com cheiro a rosas e pétalas de trovão.

O sangue negro escorre dos meus olhos, arrastando algumas cinzas pela boca expelidas.

Formas putrefactas arranham-me a pele e traçam rios de alfazema enraivada, engasgada.

Por último, os meus lábios secaram de tanto esperar esse teu beijo de liberdade, o da verdade.
Egoísta.
Sempre foste.

Puta da vida.

(Source: essentia-vitae)

Uma pessoa.

Uma pessoa.

Um corpo.
Uma cara.
Um olhar.
Uma boca.
Uma expressão.
Uma lágrima.
Um sorriso.
Um choro.
Um susto.
Um grito.

Um braço.
Uma mão.
Agarrar, segurar, tocar, largar.

Uma perna.
Duas pernas.
Um joelho.
Dois joelhos.
Andar, passear, correr, marchar, nadar, parar.

Uma cabeça.
Cabelos e uns pelos.
Uma barba.
Lavar, sentir, rapar, fremir, voar, sorrir.

Uma pele.
Uns pigmentos.
Rosados, acastanhados, rugosos, suaves, doces, salgados.

Uma mente.
O universo.

Uma pessoa.
O infinto.

(Source: essentia-vitae)

Would you?

Would you hold me close,
If I cried at night?

Would you love me more,
If I wasn’t nice?

Would you give it all,
If I said “you’re mine”?

Would you leave your soul
for a glass of wine?

Would you let me know,
If I kissed you right?

(Source: essentia-vitae)

Hello (reprise)

Hello stranger,
Hello, hello.
These days have been tough.
I’ve lost my soul in a place called home.
I still breathe this poisoned air, I still exhale the same quiet sadness.
Inside my head, birds are dying, leaving their songs meaningless.

Hello, hello,
Can you hear me?
I’m asking for help, grab my hand and take me far away.
Darling, I’ve been tricked in this lie called life.
Only Callas, La Divina, saved me, as they say.
Hello, stranger,
Can you feel it?
I’ve been waiting for you
To tell me something like this, every day.

Alexandre

(Source: essentia-vitae)

Um sonho do passado e um vazio do presente.

Ultimamente, tenho estado num ciclo vicioso.
Ora tentado sentir algo, ora largando e caindo num desassossego pernicioso.

Estou cansado de pensar, de sentir, de sonhar.
Tudo à minha volta é duma monotonia mórbida.
Estou perdido, não sei para onde olhar. Já não consigo gritar.
A cada dia que passa, a cada instante, perco a vontade e umas lágrimas sangradas.
A minha alma chora e lamenta-se. Já não sabe amar.
O meu corpo decaí, enfraquecido, não para de fumar.

Uns dias atrás, sonhei.
Sonhei contigo. A maioria desvaneceu, esmoreceu.
Lembro-me apenas do toque súbtil dos teus lábios contra os meus.
Um olhar profundo que me apunhalou o ser. E eu, a tentar viver.
Não passou dum sonho. Mas deu lume ao fogo, esse, quase morto.

Agora, estou com o corpo estendido. Cabeça para cima e escrita na ponta dos dedos.
Hoje, estou triste mais do que é comum. Hoje perdi outra parte minha.
Hoje tenho a alma mais seca de que sempre.
Já é tarde, nunca mente, as insomnias não me largam e tal se sente.
Hoje à noite estou mais confuso do que é costume.
Um sentimento de romance perdido envolvido numa prisão de vidro.

Falta pouco para a minha alma ser crucificada.
Os espinhos penetrando e rasgando a minha essência.
Falta pouco para eu ser lamentado.
Os dias passam e eu vou, falecendo.

(Source: essentia-vitae)